
A sala estava vazia, ninguém para me receber de braços abertos. Aquela bola de pêlo que costuma ficar a porta esperando a dona da casa chegar literalmente cagava para minha presença. Nem depois de chamar pelo seu nome veio ao meu encontro, típico dos bichanos, mas este não é o momento de discutir o mundo animal.
Não tinha comida pronta, aliás nunca tem, mas a gente costuma ir para a cozinha juntos, ou corremos ao telefone para pedir nosso japonês ou assaltar a geladeira. Normalmente a gente acabava indo para o chuveiro, livrar da carga do dia e começar a relaxar. Se eu saisse cedo, passava ali na Galeria Menescal e comprava algumas esfirras para ela e uns dois kibes para mim.
Hoje eu não comprei esfirras. Amanhã também não vou comprar nenhuma. Pelo resto da semana a cena vai se repetir. Não vou ligar para lugar algum. O banho vai ser mais curto. Não tem nada para assaltar na geladeira. Não tem nada na televisão. Já li o jornal. Não tem muito o que fazer.
Amanhã o gato vai se acostumar com a idéia. Eu não.



2 comentários:
caramba, q foda...
Acostumará sim, sempre nos acostumamos. Nos acostumamos com os engarrafamentos, as más notícias dos jornais, com a unha que quebra, com as pessoas que chegam e com as pessoas que vão.
Tenho pena do gato que terá que se acostumar com as pessoas que vinrão...
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