Segunda-feira

PARA SE COMER

O Rei do Carangueijo, Roberta Close e uma rede por favor
Um lugar agradável, sem nenhum grande luxo mas nem por isso uma birosca qualquer. É um restaurante de frutos do mar, deu para perceber, dos melhores na região. A Caldeirada é um bom começo para quem ainda não tem coragem de encarar outros pratos mais fortes. A casquinha de siri poderia vir em uma porção maior. A localização, esquina da Xavier da Silveira com a Barata Ribeiro, praticamente no meio do bairro. Não tem como errar. Fica só um pouco longe da estação da Siqueira Campos, mas de qualquer ônibus que entre em Copa consegues passar em frente. Lugar muito bem frequentado, inclusive com pessoas ilustres da mais fina flor carioca. Roberta Close por exemplo. Sim, um dia a tomar um chopp ali em uma tarde de sábado eis que me entra a mulher que já foi considerada a mais bonita do Brasil, mas não era mulher, era quase. E nessa época o Carangueijo tinha uns espelhos no teto. Foi engraçado porque dava para ver o decote mais do que decotado dela. E como ela(e) é grande. Dá medo! Precisou ir ao banheiro e aí me bateu uma dúvida mordaz, ela(e) ia no feminino ou no masculino? Não me lembro se ela(e) havia cortado a manjubinha, mas de qualquer forma acabou entrando no feminino. Eu evitava ficar olhando muito, afinal de contas Roberta Close é uma pessoa como outra qualquer. Não que eu coma ela(e) mas realmente muito bonita(o) e gostosa(o). É do tipo que se ninguém sabe quem é fatura o bofe sim.
O chopp é honesto, mas tem dias em que tem de dar um chamada no garçom. Aliás, uma simpatia só. Na verdade eu tenho mais elogios ao lugar que dinheiro no bolso para poder pagar, porque apesar de tudo, de se tratar um restaurante de uma cidade no litoral, perto do mar e tudo mais, nada justifica o preço dos pratos. Outro dia saí de lá com quase R$ 80 a menos na carteira. Claro que não era só eu, estava acompanhado e realmente pedimos algumas porções extras. Houve também um bocado de chopp. O pior? Alguém na mesa não queria por nada neste mundo comer peixe ou coisa parecia. Optou por uma carne vermelha. Dá vontade não dá? Onde já se viu pedir um filet em um restaurante que se chama O Rei do Carangueijo. Aliás, em lugar algum que filet está caro demais, só em ocasiões especiais.
Um dia desses foi até engraçado, eu e uma amiga minha combinamos de caminhar no calçadão, hábito que perdemos com o tempo, todo domingo a gente fazia isso. Bem, de fato neste dia caminhamos, mas todo o exercício que fizemos se acabou em vários chopps, pirão, caldeirada de frutos, arroz e quantidades absurdas de azeite mais pimenta. Mal conseguíamos voltar para casa, foi duro mas foi muito gostoso.
Mas enfim, pense que de repente vale pelo sabor, excelente! Um dia ainda consigo a receita da caldeirada deles... quase tão boa quanto a que comi em São Luis (MA). Aliás, depois de falar tanto de peixe me deu até fome. Estamos na semana santa, não? Vou tirar o atraso. Comer muito e depois só pedir uma coisa, uma rede bem aconchegante e uma tarde inteira para bodear porque depois disso só mesmo chapando.
Manjubinha da Roberta Close... eu não acredito que fiz esta alusão.

Domingo

OUTRA HISTÓRIA DO RODRIGÃO

Este é mais um pequeno fragmento de suas inúmeras histórias. Se quiser ler mais é só clicar no blog dele, que só não está extindo porque ainda está no ar. Espero que um dia ele volte a escrever novamente, porque pelo tempo que não publica nada, já devem ter se acumulado muitas histórias, verídicas ou oriundas da sua mente pervertida, ébria e feliz. Pode não ter acontecido em Copacabana, mas ilustra muito bem um dia qualquer neste bairro, onde bastou um grupo de amigos, muitas garrafas na mesa e uma conta que ninguém quer fechar.






A noite é uma criança



A noite é uma criança. Mas vá explicar isso para um garçon...

- Senhores, vamos fechar daqui a pouco...
- E aquela história de ficar aberto até o último cliente ir embora?
- Mas os senhores são a última mesa. E a penúltima foi embora há duas horas, junto com o cozinheiro.
- Já faz tanto tempo assim? Espera: o cozinheiro já foi?
- Já sim. Mas os senhores podem ficar à vontade.

Imagina a cena, caro leitor: cinco amigos, ligeiramente bêbados, às 4h da manhã, sentados num barzinho, daqueles que têm música ao vivo. Só eles no bar. Os garçons em volta da mesa falando sobre como era demorada a volta para a casa. Uma tentativa clara e mesquinha, há de concordar, de tentar convencer os amigos a ir embora.

Veja bem: os cinco naquele momento sagrado em que você encara cada copo vazio como uma pequena vitória e um daqueles caras de gravata borboleta dizendo "Ir pra Ramos agora? Tá louco..." com o outro respondendo "Isso não é nada, tenho que ir pra Queimados. Duas conduções e uma van. Chego lá no Faustão."

- Como ficar à vontade com vocês secando a gente?
- Calma, Armando!
- Como calma, Tutuca?! Os caras estão expulsando a gente dessa espelunca!
- Tá! Então vamos embora dessa "espelunca" porque depois dessa vão cuspir no nosso chopp.
- Foi mal...
- Relaxa! Pra onde?
- Vamos pro Estupendo?
- Tá maluco? A porção de frango à passarinho de lá é safada pra cacete.
- Mas você quer comer frango à passarinho agora, Pimenta?
- Não. Mas prometi pra mim mesmo que não voltava lá. Que tal o Flor do Lodo?
- Ah! Acho que já fechou. Lá fecha cedo desde que a gente ficou cantando Saigon, 4h e tanto da manhã, em frente ao prédio vizinho praquela gostosona do primeiro andar, lembram?
- Putz! Mas esse não era o Saideira?
- Não! Saideira foi quando a gente queimou a toalha tentando fazer sinal de fumaça pra chamar o garçon!
- Pode crer. O Jarbas!
- Não, o Alcindo. O Jarbas é aquele careca emburrado do Encruado.

E eles ficaram algum tempo discutindo onde aquela noite terminaria. O bar perfeito pra saideira tinha que ter bom atendimento, ser perto dali, chopp gostoso, preço bom e, claro, caldinho de feijão com torresmo (nada de bacon!). Ah! E tudo isso às 4h da manhã.

O problema é que as opções iam surgindo e nada de chegar ao veredito. Até que o Binho, o caçula daquele grupo, levanta de sua cadeira, olha cada um nos olhos e dispara:

- Meus amigos! Em minha pequena, mas intensa experiência como pinguço, aprendi que na boemia, assim como no amor, não se pode escolher.

Todos se surpreenderam com o que o garoto estava dizendo. Logo ele, que sempre ficava calado nesses momentos. E continuou:

- É verdade, amigos! A coisa simplesmente acontece. Acho até, se me permitem, que em algum lugar desse mundo nasceu o bar que nos completa, o bar de nossas vidas. Nossa alma gêmea.

Nesse momento, até os garçons já tinham puxado uma cadeira para ouvir as sábias palavras do jovem boêmio.

- Procurar um bar só traz dor de cabeça. Ainda mais quando a cerveja é ruim. Procurar um bar é viver de aparência. Como aqueles caras que pegam a mulher porque é gostosona, ou as meninas que só sonham com os caras populares. Não, amigos! Isso é resumir uma relação de cumplicidade a uma mera análise de custo-benefício. Voto por não ter voto. Se alguém tiver que escolher, que seja o bar. Mas o que quero mesmo, o que desejo do fundo de minha alma, é que a gente se descubra... As opções que todos colocaram são ótimas. Mas temos de ser flechados pelo cupido da boemia. Porque é ele que deixará os dois dedinhos de colarinho tão irresistíveis que não nos restará outra coisa senão abrir um sorriso, inflar o peito, pedir outra rodada e começar essa nova história. Mas antes...

Todos se ajeitaram na cadeira para o grand finale.

- ... eu preciso mijar urgentemente!

Quarta-feira

COPACABANA DE TOLEDO


Mais um blog sobre o bairro mais tradicional da nossa cidade. Ana de Toledo declina impressões, fotos e diversos assuntos sobre Copacabana. Clique na imagem para acessar o blog ou digite http://www.copacabanadetoledo.blogger.com.br no seu navegador. Abraço, Ana. Que bom nos encontrar no novo endereço.